quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Contigo... Nas tardes vazias!


Talvez ele tivesse um nome
Mas isso não importava
Em seus olhos algo me prendia
Absorvia-lhe todas as palavras
Saciando a sede de terras áridas
Alimentava-me de seus gestos
Nutrindo a ânsia de tantos afetos
...
Talvez ele tivesse um sobrenome
Mas isso eu também ignorava
Ele trazia cores ao meu dia
Em suas chegadas eu me rendia
Guiada pelo encanto de sua magia
Envolvia-me em suas melodias
Acalmando as minhas tardes vazias


Tatiana Moreira



Um abraço carinhoso
para todos que passam por aqui!

domingo, 28 de agosto de 2011

Resposta






Resposta 

Quem dera se os meus versos
Ganhassem vida e saíssem do papel
Assim quem sabe ele compreenderia
A razão de calar-me e afastar afinal
Com vida própria eles poderiam se revelar
E livremente voariam...
E o acariciariam como eu tanto desejo
Ficariam por longos momentos
Perdidos dentro do mar de seus olhos
Poderiam finalmente tocar os seus lábios
E num beijo acalmar todas as minhas ânsias
Mas... Eu prefiro afastar-me
Para não invadir o seu mundo
Fico na esperança de que ele entenda
Que não me importa ‘os outros’
Os que tentam se aproximar, ler e desejar...
Quando para mim bastaria apenas um
Aquele que rouba a minha atenção
Aquele que vive presente em meu coração
Que desperta cada dia mais a minha inspiração
Hoje o que mais dói é perceber que ele não entende!
“Sem mais, eu fico onde estou, prefiro continuar distante


Tatiana Moreira




quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Pergunta-me



Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente

Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer


Mia Couto 




Nas palavras do poeta Mia Couto
deixo os meus pensamentos ganharem força...
Quem sabe assim a minha inspiração volte!

Abraço carinhoso para todos



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Solidão a dois



Onde foi que nos perdemos?
Em que espaço do tempo, nós deixamos de nos olhar com amor?
Em que momento da existência o amor transformou-se em dor?
Onde ficou o respeito e a admiração que nutríamos um pelo outro?
Onde foi que os nossos caminhos se afastaram?
Por qual trilha cada um de nós seguiu outros passos?
Onde se esconderam as palavras e os gestos de carinho?
Como minamos os cuidados e zelos para uma convivência sadia?
O metal que caracterizava ligação há tempos de nós foi retirado
Guardamos junto a tudo o que queremos esquecer
Deixamos que ficasse perdido sem parecer nos pertencer
Assim passam-se os dias, meses e anos...
E nós nos perdemos em meio a tantas dores e decepções
Nós nos desencantamos perdidos na nossa imaginação
As traições abriram feridas na alma... Difíceis de cicatrizarem
E o amor doente e enfraquecido... Não acha forças para lutar
Tornamo-nos inimigos não declarados, apenas sentidos
Digladiamos na guerra fria e interna que muitas vezes travamos
E seguimos nossa solidão a dois, acreditando que nada mais sentimos.


Tatiana Moreira